20 de junho de 2009




A poesia é para gente que gosta de errar pelos vales e campos, pelas ruas sujas, pelos becos sem saida, gente que chora a vida que se escoa lenta, longa e em vao, que ama as tristes noites e suas negras asas.
A poesia é a traduçao das estrelas, da brisa na palmeira, do murmúrio das florestas, dos raios de sol entrando pelas frestas da janela, me acordando e acariciando, como se somente aquele carinho fosse suficiente para fazer-me esquecer todo o resto.


[Ana Miranda e Fernanda Mel]

14 de junho de 2009

Acabou.




Dói. Dói tanto que me dá vontade de arrancar as entranhas de dentro do meu ser.
Minhas pernas tremiam quando cheguei lá, meu coração batia forte e rápido com a sensação de ansiedade à tua espera. Imaginando mil coisas.
Só por ti mesmo, eu iria ali novamente, não que o ambiente seja desagradável, mas pelos sentimentos que me traz. Além do mais a vontade de chorar não saia de dentro de mim. Estava quase tudo como eu havia visto pela última vez, só não os rostos. Uns eu não reconhecia, outros faltavam. Estava suada de tanto andar pra comprar um presentinho humilde.
Mas quando ti vi. Parece que tiraram meu chão e ver outra pessoa ao teu lado, foi como um tapa na minha face. Não sei por que não fui embora correndo sem nada dizer. Minha única reação foi correr e ti abraçar, mas senti que meu abraço não foi recebido com o mesmo entusiasmo. Nem sabia onde enfiar minhas mãos para que ninguém percebesse que elas tremiam. A situação era muito constrangedora pra mim. A mais constrangedora de toda a minha vida. Ficar ali sem saber o que dizer. Me arrependi mil vezes de ter ido. Chinguei -me com dez mil palavrões diferentes.
Tornou-se pior quando notei a tua indiferença. Nem um beijo no rosto, nem um outro abraço retribuindo, nem uma mão no ombro, reconfortante como tu sempre fazes.
Depois, na volta pra casa a tua distância me matou. Colocaste a mala entre nós dois? Nem a tua mão na minha eu senti.
Duas lágrimas teimosas escorreram pelo meu rosto. Não eras o mesmo. Não estavas ali comigo. A conversa da qual eu não participava e que tu desenvolvias com tanta naturalidade, me fazia sentir vontade de abrir a porta e pular do carro. Vi meu corpo dez vezes se chocando contra o asfalto e se partindo em mil pedaços, sangue pra todo lado. Morreria e tu nem irias peceber.
Era como se eu não ti conhecesse, era como se tu fosses um estranho que havia pegado a mesma carona. E eu era nada. Um vazio do teu lado esquerdo. Morri por dentro. Não havia nada mais por debaixo da minha pele.
Apressei-me em pegar as chaves, pra não ter que passar mais nem um segundo ali. Quando o carro parou meu estômago virou vento. Acabou. Nunca mais vou vê-lo. Agradeci gentilmente, enquanto eu me movia pra sair tu passaste a mão na minha cabeça. Hã? Idiota. Apressei o passo até a porta. Abri. Fechei. Sentei-me no primeiro batente da escada e chorei. Subi a escada chorando. Entrei em casa chorando, olhei o sofá e continuei chorando. Teu telefone estava desligado. É, não sentiu a minha falta e nem quer falar comigo.
Rolei dez mil vezes na cama na tentativa de arrancar aquela dor do meu peito. Deitei no chão do banheiro e continuei chorando. Olhei as fotos que permanecem no painel e minha garganta fechou. Escrevi e continuou doendo. As pelúcias que me deste, consolaram-me a noite toda. E choveu.

A culpa é toda minha. De mais ninguém.

Acabou.


[Ouvindo Rosas de Saron- Sem você]

Cansei




Chega! Eu definitivamente cansei. De tudo.

Cansei de me preocpar com o que as pessoas pensam ou dizem sobre mim. Cansei de tentar agradar. Cansei de tentar escrever bem. Cansei de querer ser o que esperam. Cansei de tentar me compreender. Cansei de ter que fazer o que é certo. Cansei de me obrigar a ser boa filha, irmã, amiga, aluna. Cansei de esperar. Isso eu definitivamente mesmo, cansei de fazer.

Esperar o final de semana, esperar o próximo semestre, esperar uma oportunidade, esperar a próxima oportunidade. Esperar crescer, ter, poder.

Mesmo estando cansada de querer algo que não conheço, continuo querendo e esperando por isso.

Deu vontade de gritar: Fodam-se. Me deitar no chão e sentir o sol me abraçar.
Fodam-se por que eu nao preciso de tudo isso pra viver.
Afinal, como disse-me uma voz de adulto amadurecido: Cai na real! Tu ja está sozinha há muito tempo.

[É isso mesmo, o título é um link. Cliquem lá"]

12 de junho de 2009




Eu perguntei. Ele não respondeu. Eu quis, ele também. Mas ninguém entendeu o porquê daquela situação. A culpa é minha? Não sei. Talvez. Mas pode ser que a culpa não seja de ninguém, ou seja da circunstância. Eu bem que poderia seguir ao teu lado, mas já vivi isso, não quero viver tudo de novo. Eu tenho meus motivos, mas eles não significam que eu não te ame mais. Eu só não quero adiar um sofrimento, nem destruir o sentimento que ainda existe.


Dia desses me peguei sentindo falta do bico que tu fazes quando está comendo pipoca, do toque das tuas mãos macias nas minhas costas, do cheiro do teu cabelo, de encontrar fios pelo chão da casa e até das caretas, que eu sempre odiei.


Adoro quando tu me mimas como criança, quando tu fazes as minhas vontades. Quanto tu me da bronca com aquele ar de adulto amadurecido. Adoro quando pegas na minha cintura e me segura dizendo que sou tua, quando agarra minha pele e me faz sentir frágil como se o teu cuidado fosse o medo de me partir ao meio com os teus carinhos.


Agora meu coração está partido em mil pedacinhos, com a possibilidade de ti perder definitivamente. Ainda assim te amo, e creio que tudo vai passar e um dia vou lembrar-me de tudo como um dos momentos mais lindos e felizes da minha vida.



Feliz Dia dos Namorados.



6 de junho de 2009





Quero tudo novo

Quero tudo sincero, verdadeiro

Não importa o que seja.

Que venham os fracassos
Que venham as vitórias
Mas que sejam reais
Que sejam minhas

Quero tudo sincero
Para que as lágrimas escorram pelo rosto
Como rio que lava a alma
Que sejam lágrimas constantes
Pra carregarem dentro de si algo
Um sentimento
Seja ele qual for.

Quero sorrisos sinceros
Pra que saiam de dentro como uma explosão

Quero amores verdadeiros

Quero alegrias pequenas

Que façam cócegas no céu da boca.

Não quero nada.

Só quero ficar aqui
Fingir que sou feliz, ou triste.


Quero gente sincera

Quero a ilusão de uma vida bela.

Quero viver tudo que posso
Que devo
Que quero.
Assim espero .


(Isso não é poesia. Isso é coisa alguma.)

3 de junho de 2009

Até quando o dinheiro vai definir o nosso caráter?




“Recentemente, a imprensa divulgou uma proposta de financiar as universidades por meio da Lei de Incentivos Fiscais. Seriam permitidas deduções do Imposto de Renda de entidades que investirem em bolsas de estudo, reformas, pesquisas e outras ações. A proposta seguiria o mesmo princípio da Lei de Rouanet, que já garante isenção de tributos para empresários que destinam seus impostos a atividades culturais e esportivas. Fica difícil decifrar o que está por trás desse projeto.

Aos desavisados, a proposta soará como idéia brilhante que salvaria a pesquisa e o ensino superior do Brasil. Aos conhecedores das motivações escusas da política cultural vigente, fica a dúvida: a trama pode estar envolta em ingenuidade e boa-fé, mas pode também ser fruto de estratégias voltadas à privatização total e definitiva do ensino superior, cada vez mais tratado como mercadoria.”

(Jorge Antunes, “O financiamento das universidades e a tramóia dos privatistas”. Correio Brasiliense, 16/03/09)



São essas e outras trambicagens do nosso governo que fazem com que os brasileiros acreditem cada vez menos no futuro da nação. Certa vez eu me pus a ler a Constituição, um dos muitos livros empoeirados na estante de advogado orgulhoso do meu pai, e confesso que foi uma das coisas mais lindas que já li na minha vida. Se as coisas acontecessem exatamente como estão escritas ali todos seríamos felizes (embora essa idéia de felicidade plena e eterna me incomode), ou pelo menos teríamos uma vida digna, na qual todos teriam as mesmas oportunidades, ou no mínimo semelhantes. Foi aí que me perguntei: Então por que as coisas não acontecem assim? E de imediato me veio a resposta: Porque mais cedo ou mais tarde alguém procura uma forma de se dar bem, a maioria acaba entrando em um ciclo vicioso de mentiras e ladroagem(sem aquele senso comum de que todo político é ladrão).


Quando decidi fazer direito no ensino médio (embora, atualmente eu não faça), sempre me perguntava como seria a minha vida quando eu fosse uma juíza. Pensava em ajudar pessoas da forma que eu pudesse e tentar transformar o meu país através do meu trabalho. Mas cheguei à conclusão de que seria meio difícil me manter limpa e incorruptível no meio da podridão dos acordos por detrás dos panos e das propinas que rolam em cada processo. Imaginei, que talvez um dia, todos aqueles senadores e deputados, também tenham tido um pensamento empolgado e revolucionário como o meu, mas chegando onde estão hoje, viram que as coisas não são bem assim e que a honestidade de um dificilmente contagia os demais. Infelizmente, embora acredito que não seja impossível.


Certa vez, no curso preparatório para concursos que freqüento o professor de Direito Penal citou o infeliz exemplo de um advogado que comeu as provas do caso, dois cheques. Ele simplesmente pegou o processo, virou-se e comeu. Nesse momento senti vergonha do meu país, senti vergonha das pessoas, senti vergonha do meu pai por ele ser advogado e imaginei que talvez ele também minta para pagar as minhas contas.


Desisti de direito por não querer me envolver nesse emaranhado de corrupção, por me sentir decepcionada e ferida com a hipocrisia do curso que antes eu achava tão bonito e tão forte para promover mudanças positivas. Assim como desisti de jornalismo por achar que atualmente a imprensa mais manipula que informa.


Decidi fazer engenharia civil, mas ultimamente tenho me perguntado muito: O que eu vou fazer pra melhorar a vida das pessoas através do meu trabalho? Eu não quero só ganhar dinheiro e fechar meus olhos para o mundo. Afinal, aquilo que citei no primeiro parágrafo, só acontece por que quem está com o poder só pensa em ganhar dinheiro, tem mais ambição do que compaixão pelo mundo que está doente.

Mas até quando o dinheiro vai definir o nosso caráter?

Tenho pensado novamente em fazer direito.


Interpretação da imagem feita por:
Léo PS - diz:
*texto da imagem: a linda e sensual justiça tem esperança em seu vestido, não sabe segurar uma espada tá brincado de pata sega, acredita em signo do zoodiaco (libra) e cavalga em sua bela lesma chamada Gary, já a lesma é uma bela artista e pinta em seu casco com a boca cenas do cotidiano... dããã =P

*num tendi... o que é preu dizer ? =D
. Fernanda Mell . diz:
*o que tu conclui, sem ler esse texto idiota!
*(foi tu que fez o texto?)

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