4 de maio de 2010

Era mais divertido quando eu tinha imaginação



Quando eu não percebia que existem pessoas que passam fome e não tem onde durmir. Quando os meus erros não eram tão fatais. Quando eu podia chorar e espernear e só a presença da minha mãe era o suficiente pra me acalmar. Só o cheiro e o abraço dela silenciavam o mundo pra mim. Era bem mais divertido quando era fácil imaginar que o mundo podia ser tão colorido quanto eu quisesse, que todas as pessoas eram felizes tanto quanto eu naquele exato momento.

Era muito melhor quando eu conseguia imaginar flores em todos os cantos, quando eu conseguia acreditar em príncipe encantado, quando todos os meus ursinhos eram meus melhores amigos, quando todos os problemas eram simples de resolver.

Era tão divertido imaginar que a minha casa era um castelo, cheio de passagens secretas e salas escondidas e quando alguma coisa me irritava ou me entristecia eu podia simplesmente me esconder em cima do armário e deixar a minha mãe me procurando pelo resto dia. Eu cabia tão facilmente lá e era tão tranqüilizador passar o dia inteiro escondida até a dor passar. Era tão difícil entender por que os meus pais complicavam tanto as coisas. Por que era tão complicado ficar juntos, mas ao mesmo tempo era tão complicado ficar separados. Por que era tão difícil ficar longe e tão difícil ficar perto. Pra mim era tudo tão simples e o mundo era tão bonito. Era muito mais divertido quando eu conseguia imaginar que a minha vida podia ser um filme, e que mais cedo ou mais tarde chegaria o final feliz, mais cedo ou mais tarde o príncipe chegaria e salvaria todo o mundo. Era gostoso acreditar que eu poderia ir onde eu quisesse, poderia fazer uma malinha, fugir de casa e viver várias aventuras.

É tão chato descobrir que o mundo não é tão colorido e alegre assim. Perceber que na verdade as coisas são tão complicadas quanto os meus pais as faziam parecer. Que nem todas as pessoas são felizes e que nem todas as crianças recebem presente do Papai Noel no Natal. É chato perceber que talvez os meus erros sejam sim fatais, que talvez eu não tenha como voltar atrás e quem sabe, o príncipe não caiu do cavalo, foi atropelado, caiu no lago e morreu afogado.



24 de março de 2010

Saudade


Saudade deles
Dos gritos, das teimosias
Dos sorrisos
Do cheiro da pele
Do cheiro dos cabelos
Saudade dos abraços
Das mãozinhas pequenas
Da zoada de seus passos
Das brigas
Dos choros
Saudade deles
Faria qualquer coisa
Para acordar com eles na minha cama
Faria qualquer coisa
Para poder tê-los a poucos metros de distância
Seguros.

28 de julho de 2009

Promessas


Promete que vai me amar pra sempre? Promete que nunca vai me trair? Promete que nunca mais vai me magoar? Promete que vai me ligar depois de uma briga? Promete que quando eu te mandar ir embora tu não vai? Promete que vai me tratar como uma princesa? Promete que não vai me dar as costas? Promete que não vai me decepcionar? Promete que vai me amar mais? Promete que vai ser só meu pra sempre? Promete que não vai mais me fazer chorar? Promete que vai sentir saudade de mim a cada segundo? Promete que vai mudar minha vida? Promete me fazer feliz? Promete que vai me fazer confiar em ti de novo? Promete, promete que teu coraçao vai bater só por mim?
E ele prometeu tudo. Dizia que tinha medo de me perder, que ia ser para sempre e que nunca tinha amado ninguém como a mim. E acabou. As promessas perderam toda a validade. Eu sei que foram verdadeiras enquanto foram ditas, mas são palavras que voam e não se pode agarrar. Esqueci de pedir para ele assinar um contrato.
É isso o que me entristece, o fato de promessas não serem palpáveis e eu não poder mostrar que ele prometeu e tem de cumprir. Não valem mais de nada, pois não existe mais amor. Não de ambas as partes. Mas pelo menos alguma coisa eu aprendi com esse fim trágico (para mim) de uma história tão bonita. Aprendi que promessas de amor não têm prazo de validade, muito menos duração de “para sempre” ou “eternamente”, como muitos dizem. Elas só valem o tempo em que existe amor entre os dois indivíduos do relacionamento. Depois, não adianta chorar, espernear, querer, sofrer... Pois as tuas atitudes já não são tão relevantes para a outra pessoa, ela já não vai mais voltar correndo pros teus braços e fazer a tua vontade.

Ainda choro quando tento compreender que não vou mais tocar a tua pele, beijar os teus lábios, sentir o teu cheiro, agarrar os teus cabelos. Sempre me pergunto se tu não sentes nada, nenhum pingo de ciúmes ao imaginar que estás me jogando nos braços de outro, e que é esse outro que vai me beijar, abraçar, tocar, se é que ainda imaginas algo a meu respeito. Minhas entranhas se contorcem ao imaginar, que talvez mais na frente outra pessoa diga que me ama, diga novamente que vai ser para sempre e que comigo vai ser diferente. Então eu vou me perguntar: E pra onde foi aquele outro amor? Será inevitável não lembrar que um dia eu ouvi todas essas promessas de ti, e acreditei com todas as forças que era tudo verdade e que estarias sempre ali, ao meu lado. Lembrarei também que as promessas se desfizeram tão rápido como foram pronunciadas e não conseguirei acreditar que outra pessoa que esteja, talvez, falando a verdade sem saber ou mentindo inconscientemente outra vez.

Cansei de chorar. As lágrimas estão se esvaindo junto com as esperanças de um recomeço. Já entendi que não dá mais. Não há explicação, simplesmente acabou. Sei que ainda não me esqueceste, que ainda sente a minha falta, e isso dói também, pois apesar de tudo, se estamos separados é por que pretendes esquecer. Eu também. Tudo que mais queria era poder guardar todas as lembranças numa caixinha e só tirá-las de lá quando meu coração estivesse sarado e eu pudesse rir de tudo, me sentir uma boba por ter feito uma tempestade em copo d’água e pensar: foi só o primeiro namorado.

Ainda acredito no amor, só pretendo não me iludir mais com as promessas.

P.S.: Um dia você aprende que não importa em quantos pedaços o seu coração foi quebrado, o mundo nunca pára para que você o conserte.

20 de junho de 2009




A poesia é para gente que gosta de errar pelos vales e campos, pelas ruas sujas, pelos becos sem saida, gente que chora a vida que se escoa lenta, longa e em vao, que ama as tristes noites e suas negras asas.
A poesia é a traduçao das estrelas, da brisa na palmeira, do murmúrio das florestas, dos raios de sol entrando pelas frestas da janela, me acordando e acariciando, como se somente aquele carinho fosse suficiente para fazer-me esquecer todo o resto.


[Ana Miranda e Fernanda Mel]

14 de junho de 2009

Acabou.




Dói. Dói tanto que me dá vontade de arrancar as entranhas de dentro do meu ser.
Minhas pernas tremiam quando cheguei lá, meu coração batia forte e rápido com a sensação de ansiedade à tua espera. Imaginando mil coisas.
Só por ti mesmo, eu iria ali novamente, não que o ambiente seja desagradável, mas pelos sentimentos que me traz. Além do mais a vontade de chorar não saia de dentro de mim. Estava quase tudo como eu havia visto pela última vez, só não os rostos. Uns eu não reconhecia, outros faltavam. Estava suada de tanto andar pra comprar um presentinho humilde.
Mas quando ti vi. Parece que tiraram meu chão e ver outra pessoa ao teu lado, foi como um tapa na minha face. Não sei por que não fui embora correndo sem nada dizer. Minha única reação foi correr e ti abraçar, mas senti que meu abraço não foi recebido com o mesmo entusiasmo. Nem sabia onde enfiar minhas mãos para que ninguém percebesse que elas tremiam. A situação era muito constrangedora pra mim. A mais constrangedora de toda a minha vida. Ficar ali sem saber o que dizer. Me arrependi mil vezes de ter ido. Chinguei -me com dez mil palavrões diferentes.
Tornou-se pior quando notei a tua indiferença. Nem um beijo no rosto, nem um outro abraço retribuindo, nem uma mão no ombro, reconfortante como tu sempre fazes.
Depois, na volta pra casa a tua distância me matou. Colocaste a mala entre nós dois? Nem a tua mão na minha eu senti.
Duas lágrimas teimosas escorreram pelo meu rosto. Não eras o mesmo. Não estavas ali comigo. A conversa da qual eu não participava e que tu desenvolvias com tanta naturalidade, me fazia sentir vontade de abrir a porta e pular do carro. Vi meu corpo dez vezes se chocando contra o asfalto e se partindo em mil pedaços, sangue pra todo lado. Morreria e tu nem irias peceber.
Era como se eu não ti conhecesse, era como se tu fosses um estranho que havia pegado a mesma carona. E eu era nada. Um vazio do teu lado esquerdo. Morri por dentro. Não havia nada mais por debaixo da minha pele.
Apressei-me em pegar as chaves, pra não ter que passar mais nem um segundo ali. Quando o carro parou meu estômago virou vento. Acabou. Nunca mais vou vê-lo. Agradeci gentilmente, enquanto eu me movia pra sair tu passaste a mão na minha cabeça. Hã? Idiota. Apressei o passo até a porta. Abri. Fechei. Sentei-me no primeiro batente da escada e chorei. Subi a escada chorando. Entrei em casa chorando, olhei o sofá e continuei chorando. Teu telefone estava desligado. É, não sentiu a minha falta e nem quer falar comigo.
Rolei dez mil vezes na cama na tentativa de arrancar aquela dor do meu peito. Deitei no chão do banheiro e continuei chorando. Olhei as fotos que permanecem no painel e minha garganta fechou. Escrevi e continuou doendo. As pelúcias que me deste, consolaram-me a noite toda. E choveu.

A culpa é toda minha. De mais ninguém.

Acabou.


[Ouvindo Rosas de Saron- Sem você]

Cansei




Chega! Eu definitivamente cansei. De tudo.

Cansei de me preocpar com o que as pessoas pensam ou dizem sobre mim. Cansei de tentar agradar. Cansei de tentar escrever bem. Cansei de querer ser o que esperam. Cansei de tentar me compreender. Cansei de ter que fazer o que é certo. Cansei de me obrigar a ser boa filha, irmã, amiga, aluna. Cansei de esperar. Isso eu definitivamente mesmo, cansei de fazer.

Esperar o final de semana, esperar o próximo semestre, esperar uma oportunidade, esperar a próxima oportunidade. Esperar crescer, ter, poder.

Mesmo estando cansada de querer algo que não conheço, continuo querendo e esperando por isso.

Deu vontade de gritar: Fodam-se. Me deitar no chão e sentir o sol me abraçar.
Fodam-se por que eu nao preciso de tudo isso pra viver.
Afinal, como disse-me uma voz de adulto amadurecido: Cai na real! Tu ja está sozinha há muito tempo.

[É isso mesmo, o título é um link. Cliquem lá"]

12 de junho de 2009




Eu perguntei. Ele não respondeu. Eu quis, ele também. Mas ninguém entendeu o porquê daquela situação. A culpa é minha? Não sei. Talvez. Mas pode ser que a culpa não seja de ninguém, ou seja da circunstância. Eu bem que poderia seguir ao teu lado, mas já vivi isso, não quero viver tudo de novo. Eu tenho meus motivos, mas eles não significam que eu não te ame mais. Eu só não quero adiar um sofrimento, nem destruir o sentimento que ainda existe.


Dia desses me peguei sentindo falta do bico que tu fazes quando está comendo pipoca, do toque das tuas mãos macias nas minhas costas, do cheiro do teu cabelo, de encontrar fios pelo chão da casa e até das caretas, que eu sempre odiei.


Adoro quando tu me mimas como criança, quando tu fazes as minhas vontades. Quanto tu me da bronca com aquele ar de adulto amadurecido. Adoro quando pegas na minha cintura e me segura dizendo que sou tua, quando agarra minha pele e me faz sentir frágil como se o teu cuidado fosse o medo de me partir ao meio com os teus carinhos.


Agora meu coração está partido em mil pedacinhos, com a possibilidade de ti perder definitivamente. Ainda assim te amo, e creio que tudo vai passar e um dia vou lembrar-me de tudo como um dos momentos mais lindos e felizes da minha vida.



Feliz Dia dos Namorados.